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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nepotismo, por Irineu Evangelista de Sousa

"Um filho de meu tio Gabriel que veio por aqui volta no seguinte vapor e me pede com insistência um lugar; creio, porém que só pode servir para dar voltas, fazer cobranças. No entanto eu estimaria que só fosse admitido se prestar para alguma coisa, de contrário por forma nenhuma".

sábado, 30 de maio de 2009

Objetivos e objetivistas

Sort of rambling visions being rambled babbled through text. Vou aproveitar a pós bebedeira pra escrever.

Agora que percebi que o ícone do gmail é uma animação. Me peguei procurando o que que tava se mexendo na aba do Gmail, e depois de minutos de observação, era isso.

"Agora" é uma palavra legal. Denota o momento presente, o... tam tam tam tam... agora haha. Não ágora. Ágora é outra coisa.

O legal de encontrar textos, escritores, palestras com idéias semelhantes às nossas é que isso mostra que de alguma forma a gente não tá sozinho. Um dos poderes da internet é isso, conectar gente. Não só através de um add no orkut, mas através do compartilhamento de pensamentos, de formas.

E aí vem as formas não definidas, não cristalizadas. Essa maneira descompromissada de expressar o pensamento. E o blog é a mais forte delas. Pode ser um perigo, mas em geral se mostra uma ferramenta excelente de compartilhamento de visões de pessoas.

Uma palestra legal que fala disso é a da filósofa, poeta e cantora fracassada, segundo ela mesma, Viviane Mosé. Moisés? É uma palestra sobre Nietzsche no ótimo, mas mal localizado na grade de programação, Café Filosófico, cujo cenário parece ser alguma livraria1.



Muito interessante e divertida a maneira como ela coloca o niilismo, e daquela coisa de "mais fácil um camelo passar por dentro de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus".

Legal também a visão sobre o auto-desenvolvimento e o aperfeiçoamento do ser humano que é feito dia a dia, e para ele mesmo, para viver o eu. Visão essa compartilhada pela Ayn Rand, que apesar de tê-lo estudado, nega a admiração, citando apenas Aristóteles.

Aqui uma entrevista interessantíssima dela2. Muito bem colocados os pontos dela. Discordo de vários, principalmente sobre o papel do Estado, e a falta de solidariedade. Mas concordo com o louvação, desdenhada pelo entrevistador, do empreendedor (chamado de industrialista), daquele que inova e leva a sociedade pra frente, motivado por razões egoístas ou não. Mas com a fábrica do pai destruída pelos socialistas, abandonada pelos pais, fugida da Rússia socialista, não esperaria visões diferentes dela.


















Mas ao mesmo tempo que o pensamento Randyano ou Objetivista se aproxima de Nietzsche no aperfeiçoamento, destoa dele em outros. E na verdade, o próprio pensamento de Nietzsche parece se contradizer, quando fala não em buscar um ideal, mas em melhorar dia após dia.

E o sucesso pode ser mesmo intencional ou não. Temos muitos exemplos de pessoas que faziam certas atividades por gosto ou por outros motivos e a coisa acabou crescendo e dando bastante certo. Mesmo esse texto, que se tornou esse mini-tratado sobre metas, tempo presente e progresso começou como uma distração de ressaca.

Mas o empreendedorismo, mesmo que de forma limitada, depende de metas. Não quer dizer que o Asa Candler sabia exatamente onde a Coca Cola ia chegar em 2009. Certamente tinha devaneios, como eu e todo empreendedor deve ter, de sonhos grandes de onde o produto ou a empresa pode chegar. Mas isso é longe de dizer que isso era um objetivo, uma meta, com estratégia e cronograma. Mas ele tinha na cabeça o passo seguinte, que era vender aquela remessa da Coca Cola que tava guardada no galpão. Assim como o pintor tem o passo seguinte, que é terminar de pintar essa tela.

E talvez assim a contradição termine, quando se extende esse conceito do agora, do presente momento pra a visão de presente projeto.

Essa mudança de visão, de quebra do ideal foi presente na minha vida também, quando eu imaginava que as coisas iam vir numa tacada só, ao invés de passos dados dia a dia em direção a um objetivo.

1 - Café Filosófico da TV Cultura: imperdível
2 - Ayn Rand & Mike Wallace - Entrevista legenda em Português

domingo, 26 de abril de 2009


Somos camadas sobre camadas de personalidade, montada sobre experência atrás de experiência que nos moldaram pra onde somos.

Temos nossa linha geral que nos guia e que determina pelo que nos interessamos e o que odiamos, mas que pode ser mudada por fatores internos ou externos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Timão na mão

No desenvolvimento de um projeto, a alçada presente, a armada latente, o som dos tambores batendo, rumando o barco à frente, enfrentando mares bravios, ondas que levantam o barco e tiram a certeza do destino, tirando os marujos mentalmente do rumo, questionando a si mesmos e a suas capacidades. "Conseguiremos chegar?"

É nesse momento que o capitão competente e líder inspirado amarra os nós mais forte do que munda, segura o timão com força

domingo, 24 de agosto de 2008

Lidando com frustrações prévias

Muitas vezes você tem uma senssação mas não sabe o que é, ou o seu cérebro sabe, então você age baseado naquilo e não sabe o que foi. Você precisa se conscientizar para saber arrumar. Por exemplo, você deixa de ler um livro porque acha que vai ficar monótono e desiste. Assim que ficar ciente, descubra como não ficar monótono e resolva. Assim que começar a resolver o seu cérebro vai te mostrar mais dessas coisas que não mostra porque agora você consegue lidar sem ficar previamente frustrado.

Anotações sobre A Arte de Fazer Acontecer

Anotações rápidas que eu fiz enquanto ouvia o audiobook do GTD - Getting Things Done, ou "A Arte de Fazer Acontecer".

4 categorias de tarefas:

  • Projetos
  • Calendários
  • Próximas ações
  • Esperando
Calendários:
  • Compromissos com horário específico
  • Compromissos com dias específicos
Informações que você quer saber nos dias:
  • Quem vai fazer o que qual dia
  • Coisas que vão rolar mas você não sabe se vai poder ir / fazer
  • Ajude a se relacionar, usar relações
Mais informações sobre o GTD nesse link.

domingo, 17 de agosto de 2008

7 maneiras de sentir bem nesse fim de semana

Já teve a sensação de estar se sentindo muito, muito bem, e depois de curtir aquela sensaçáo pensar: mas há 5 minutos atrás eu tava sentado na cadeira, fazendo nada? Essas são algumas das coisas que me fazem pensar isso.


1. Ajudar os outros: é uma medida comum do ser humano saber se ele está dando ou tomando valor dos outros. Dar valor é toda e qualquer ação sua que vai gerar um efeito positivo percebido no outro. Como dar atenção a alguém, explicar a matéria a outra pessoa. E tomar valor é quando você faz a outra pessoa investir em você.

Quando há uma troca equilibrada ou pelo menos que busca o equilíbrio, acontece uma relação saudável. Agora, quando é uma relação em que uma pessoa toma e a outra pessoa dá, só tem uma palavra pra isso: mala.


2. Entrar em contato com a natureza: o simples respirar de ar puro pode ser um exercício de contato com a natureza. Enquanto estamos focados em realizar uma tarefa física, mesmo que seja algo tão simples quanto inspirar e expirar, nosso cérebro não consegue no mesmo momento se dedicar a processar informações, deixando sua mente livre apenas para sentir. Além de poder ser algo que você pode fazer do conforto da cadeira em que você está sentado agora.

"música tem o poder de te levar a sensações e memórias
a uma velocidade que só se compara ao cinema"


3. Conectar com os outros: ter aquela sensação de entender outra pessoa, de ver como ela vê o mundo é uma maneira que te põe em contato com o que você tem de melhor e pior em você mesmo. A maneira como você olha o outro é a maneira como você se olha.



4. Escutar boa música: a música tem o poder de te levar a sensações e memórias a uma velocidade que só se compara ao cinema. Escolha músicas que te coloquem no clima que você quer. No meu computador, eu mantenho minhas música separadas por clima. Uma ótima maneira de descobrir músicas no clima e nos estilos que você gosta é o Musicovery.

5. Apreciar a comida que se come: a meditação passa a imagem de ser uma atividade que se faz num quarto fechado, isolado do mundo e ser um tempo que não é produtivo de maneira direta. Mas a meditação pode ser experimentada em qualquer atividade da vida, e é muito mais útil quando feita em ambientes dinâmicos. O simples apreciar da comida, mastigando cada pedaço, e sentindo o sabor da comida, é uma forma de estar no momento e portanto meditando.


6. Viajar: é a melhor forma de ter contato com uma realidade completamente diferente, por um curto espaço de tempo. É simples então comparar a sua realidade com a do lugar que você está visitando e ter uma visão mais completa da vida que se vive. O contato com coisas diferentes te puxa fora da zona de conforto.


7. Eliminar as coisas que não fazem bem: mais fácil é tirar as coisas do caminho que te impedem de te sentir bem. Nem tudo podemos eliminar ou temos recursos, mas temos que avaliar se aquilo que não temos realmente não pudemos abrir mão. No começo é difícil, porque tem aquela sensação de que não podemos nos virar sem aquilo que antes parecia essencial. Mas o ser humano é um ser versátil e consegue se adaptar às situações, se não de forma fácil, pelo menos aguenta.

E vocês, qual a maneira de se sentirem bem?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Meus sonhos, histórias incríveis! - O Aeroporto da sacada aquática

BernardoCAMILAsonhei com a vó
BernardoCAMILAeu ia pegar um avião pra alguma festa ou alguma coisa com aula
BernardoCAMILAnão lembro exatamente
BernardoCAMILAsó que eu tava muito atrasado
BernardoCAMILAe todo atrapalhado, tinha entrado na área de embarque sem fazer o check-in
BernardoCAMILAaí tinha pedido pra deixar a minha mãe trazer as malas
BernardoCAMILAtava eu e a Duda
BernardoCAMILAsó que a Duda ficava toda atrapalhada pra chamar a mãe
BernardoCAMILAnão conseguia
BernardoCAMILAtoda vez que ela ia telefonar, entrava no jogo
CAMILABernardo"as partes " tb n tah formatado
BernardoCAMILAos dois celulares, o meu e o dela só pareciam rodar jogo
BernardoCAMILAnão faziam ligações
CAMILABernardouia, seus compulsivos
BernardoCAMILAaí enquanto a gente tava desesperado, veio a tia Leleth
BernardoCAMILAtrazendo as nossas malas
BernardoCAMILAaí logo depois chega o Léo e o tio Mano
BernardoCAMILAo Léo todo puto por ter corrido por ter trazido as malas
BernardoCAMILA"o vôo vai atrasar em uma hora"
BernardoCAMILAe o Mano: "pq vcs estão todos nervosos se o vôo ainda vai demorar uma hora?"
BernardoCAMILAaí eu fui numa área da sala de espera
BernardoCAMILAque tinha água corrente
BernardoCAMILAera como se fosse uma sacada
BernardoCAMILAsó que em vez de chão, tinha água
BernardoCAMILAe tinham umas pranchas protegendo a entrada
BernardoCAMILAeu derrubo a prancha sem querer
BernardoCAMILAe tenho que juntar
BernardoCAMILAentão eu volto pra uma sala
BernardoCAMILAque tá a vó e mais alguém
BernardoCAMILAe a vó me repreendendo
BernardoCAMILApor alugma coisa
BernardoCAMILAtinha a ver contigo
BernardoCAMILAnão sei se era porque tu não tava junto
CAMILABernardoai jesuis
BernardoCAMILAnão lembro exatamente
CAMILABernardohahaha
CAMILABernardoeu aaamo a Dona Eth
CAMILABernardo=]
CAMILABernardohauahuhuahauhuahuah
CAMILABernardoaté ela, visse
BernardoCAMILAhuahuahuahua
CAMILABernardodeixa eu pensar no sonho como um todo
CAMILABernardoatraso, confusão, água, avião, vó repreendendo
CAMILABernardoqdo ela te repreendeu, tu lembar do q tu sentiu?
CAMILABernardo*lembra
BernardoCAMILAnada
BernardoCAMILAeu lembro que não era algo muito justo
BernardoCAMILAeu sentia tipo: "não sei pq ela tá fazendo isso se x"
BernardoCAMILAnão sei o x
BernardoCAMILAsei que era algo oposto à repreensão
CAMILABernardohumm...
BernardoCAMILAhummm
BernardoCAMILAsimmmmmm
BernardoCAMILAestou vendooooo
CAMILABernardohuahauahhauhauhauhauhauahuahauhauhaha
CAMILABernardotu foi repreendido por algo q não tinha fundamento, então...
BernardoCAMILApois é
BernardoCAMILAsó q era por alguém que eu respeitava
CAMILABernardocom relação a todo resto, fora a parte da tua vó
CAMILABernardoacho q tais com medo de atrasar o projeto
CAMILABernardopor motivos alheios à tua vontade
BernardoCAMILAhm, verdade
BernardoCAMILAde me esforçar o meu máximo e não ser suficiente
CAMILABernardosim, eu sou uma boa interpretadora de sonhos
BernardoCAMILAoh yeah
BernardoCAMILAna mosca
CAMILABernardosó pq vai sobrar tempo e competência, apesar de tu ter derrubado a prancha
CAMILABernardoe sobre a parte da tua vó, deve ser por alguma coisa que tu ache q tá mal resolvida
CAMILABernardoou algo q tu queira dizer/fazer, mas ainda não achou o momento certo
CAMILABernardopq tu foi repreendido por uma pessoa que tu gosta e que te gosta muito, q tu respeita, mas por motivos infundados, aparentemente

Meus sonhos, histórias incríveis!

Eu fui na casa de um amigo, reencontrar ele, que eu não via faz tempo. Na vida real, ele mora numa área urbana, mas afastada de Floripa, Pocadnta de Baixo de São José. Mas no sonho, ele morava numa vila rural, então o que eu lembro é de nós dois no ônibus sacolejando pelas estradas de barro, com subidas e descidas íngremes, e mata atlântida passando pelos dois lados da estrada.

Chegando lá, saímos da casa dele e fomos andar de bicicleta. O lugar era um bairro com vários morros em volta, e estradas de barro, muito, muito íngremes que davam acesso às casas do morro. Como se fosse uma favela.

O pessoal usava esses morros pra andar de bike. Subir o morro e descer à toda. Chegando lá, um cara que eu não conhecia vêm me contar todo empolgado da nova estrada que fizeram:

- E aí velho, viu a nova descida que fizeram? Tá animal!
- Não vi velho. Eu lembro daquela outra. Mas essa foda aí eu não tinha visto. Vou lá descer.

Aí nisso que eu tava conversando com ele, eu inocentemente tinha deixado minha bike no chão. Quando eu volto pra olhar ela, ela tá SÓ NO QUADRO! Sem roda, cubo, guidom, nada! Fico irado e vou atrás.

Eu acho um suspeito, uma pessoa, da cor negra com uma camiseta do Flamengo, que ficava rindo o tempo todo pra mim. Lembrando aqui, parecia bastante com o Saci Pererê, que aprontava e ficava rindo no canto. Intimo ele e ele fala que vai devolver depois. E sai correndo!

Nisso começam a subir e descer vários trens do morro, e eu tenho que pular de um pro outro, e pular na linha do trem, e subir de novo no trem, e pular pra outro pra não ser esmagado. Nessa correria toda, o assaltante foge.

Desisto, vou pra casa de ônibus com o meu amigo. A gente começa a conversar com duas gurias que eu já tinha visto no ônibus outras vezes que eu tinha ido na casa dele. Eu não lembro da gente chamar elas pra casa do meu amigo, o que eu sei é que magicamente enquanto a gente conversava com elas, a gente não tava mais no ônibus, tava na casa dele, num quarto rústico, de mobília de madeira.

Estávamos lá, cada um com uma guria "conversando" na cama, quando o Roberto sai do quarto com uma ligação daqueles telefones antigos de rosca chamando TRRRRRRRRIMMMMMMM TRRRRRRRIMMMMMMMM. Era a polícia ligando pro Roberto, esse meu amigo, avisando que os bandidos estavam numa área próxima à casa dele, perto de um supermercado. Ele vai pra lá e me liga pro celular avisando.

Eu deixo as duas meninas sozinhas no quarto, passo por um quarto onde tavam dormindo em várias camas, as irmãs, primas e a mãe do Roberto, que me passa o meu tênis pra mim vestir. Estavam todas de camisola, e todas me olhando, seja pelo calor da situação, seja por eu estar lá indo atrás dos bandidos.

Sai e fui em direção à sacada da casa. Nisso vejo na rua, dois jardineiros suspeitos, limpando o terreno na frente de uma casa. Essa casa tinha uma garagem que tinha duas entradas, e estava com os dois portões abertos, ou seja, poderia servir de acesso de uma rua à outra. Nisso vêm alguém, mais suspeito ainda, com uma bicicleta, e entra na garagem da casa, e atravessa pra outra rua, que dá acesso ao dito supermercado. Os dois "jardineiros" começam a gritar:

- PEGGAAAAAAAAAAAAAAAAAA

E correm atrás. Nesse meio tempo, eu já tou descendo as escadas, atravesso a garagem da casa, chego na outra rua com o suspeito já no final da rua, os policiais disfarçados na metade. Vou correndo atrás, quando chego no final da rua, o policial tá lá, cansado, de bicicleta.

- E aí, eu sou amigo do Roberto e do Emannoel, esses caras roubaram a minha bike!
- Ah, do Emannoel!
- Grande Emannoel!
- Hehe

Pego a bike da mão dele e vou atrás do bandido. Era uma bike tosca, com guidão com a borrachinha estourada, sem marcha, toda preta, mas mesmo assim vou pedalando à toda atrás do bandido. É um viaduto comprido, estreito. Eu já tinha perdido o bandido de vista, mas mesmo assim continuo.

De repente, do viaduto, avisto muitas casas, umas perto das outras, com um telhado de cada cor. As casas eram brancas, mas os telhados eram rosa-pink, verde-limão, azul bem cintilante.

Meu instinto manda ir atrás dessas casas, então eu vou à toda, empino a bike, pulo com ela do viaduto e caio em cima de uma das casas. O telhado da maioria das casas tinha uma parte de concreto, então não quebrou muito a telha, mas à medida que ia pedalando em cima das telhas, eu só ouvia aquele creccc delas rachando. Passei a primeira casa, tive que pedalar, empinar e pular na próxima.

Nessa segunda já praticamente afundei em cima das telhas, estourando tudo que era telha que tinha. Nisso faz um barulho fudido. Enquanto eu pedalo, eu olho pra frente, dá pra ver que a rua vai ficando mais íngreme.

Eu não consigo nem terminar de avaliar a situação, porque por causa do barulho um velhinho saiu da janela e deu um tiro pro alto. Eu não posso parar, continuo pedalando. Só que dessa vez a casa tá alta demais. Eu solto o guidom, abro as pernas pra bike cair, e me seguro com o braço na beirada de concreto do telhado. Foi forte o impacto, mas deu pra aguentar.

Olho pra cima e vejo uma casa um pouco diferente. Ficava no final do morro, então a casa tinha uma mini varanda em volta e do lado da casa tinha uma varanda maior, que tinha um barracão.

Subo o telhado e vejo que nessa casa um pouco mais alta, uma guria de uns 19, 20 anos, morena, sai na janela e vêm com um revólver em punho. Dessa vez, é na minha direção. Enquanto ela tá apontando, eu corro pra onde ela tá, o que me deixa fora do campo de visão dela. Quando ela atira, erra.

- Eu tou atrás de um bandido! Eu tou com a polícia! - eu grito.

Ela não atira mais, então eu me seguro no beiral da varanda dela, e subo. Ela me acode, pergunta se está tudo bem e eu vou atrás do bandido. Alguma coisa me diz que ele tá atrás daquela casa.

Atrás da casa, têm um barraco de madeira, e ele tem uma janela pra varanda da casa dessa guria. Eu vou em direção a ele, só que nisso, têm duas pessoas, muito muito suspeitas. Eu só falo "Opa", e vou pro barracão da casa da guria, aonde tem muita gente, parecia uma festa, fora a falta de música. Nessa olhada rápida no barracão, deu pra ver que passava uma rua do outro lado do barraco, e que poderia ser o ponto de fuga pra mim ou pros bandidos.

Eu vou ligando pra polícia, só que antes mesmo de eu discar, eu ouço tiros e todo mundo correndo pro barraco de madeira dos bandidos.

Eu fico ali no barraco, sem saber o que fazer. E pensando em algum jeito de entrar lá.

Nisso eu ouço uma explosão de dentro do barraco e muitos, muitos policiais com colete, capacete, luva, a aparelhagem toda, com "POLÍCIA" em branco bem grande escrito no peito e nas costas, andando rápido pra dentro do barraco.

Fico com muito medo que os dê a louca nos bandidos e eles comecem a atirar em algum inocente, fico puto com a cagada que a polícia tá fazendo.

Tempos depois, estou na casa da minha vó, depois do incidente. Ela mora perto do lugar aonde aconteceu a perseguição. Aí estou eu lá, querendo saber o que houve, porque não lembrava do que aconteceu depois que a polícia entrou no barraco, vou atrás do lugar. Nisso encontro, atrás de uma porta, encontro meu tio, um machão fanático por rock, chorando. Eu pergunto o que tá acontecendo, ele grita:
- Não interessa, fecha a porta!

Eu deixo ele no canto dele e sigo. Nisso eu vejo ele passando com dois caras, altões, cabelão arrepiado, um deles pintado de branco, com roupa de couro, botina com salto andando pra dentro de uma casa ali perto.

Aí entro na casa da minha vó, pra ela contar as notícias, encontro lá minha vó, minha tia, duas primas minhas, minha mãe e meu tio.

- Sim, mas alguém morreu?
- Sim, 3 pessoas - minha mãe responde.
- Eu sabia, que burros

E começo a contar a história toda pra eles.

Nisso, sei lá porque, uma prima minha começa a pagar peitinho, meio coçando os seios. Logo depois a outra prima. E meu tio dá uma de adolescente bobão e fica apontando.

Aí eu acordei ;D

Po, contando a história toda, eu fico me perguntando: PORRA, CADÊ A MINHA BIKE!?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Blá blá blá, eu me amo

Eu tou surtando lendo um texto aqui sobre autenticidade.

Quantas e quantas não foram as vezes em que não fui autentico aos meus desejos, e fui mais autêntico à imagem que eu queria criar pra mim mesmo e pros outros, pensando em recompensas outras que valessem o esforço de colocar a máscara.

Medos vêm à tona quando se pensa em ser autêntico e se fazer o que se quer. Será que eu vou jogar tudo que eu fiz fora? Será que o que eu tenho dentro é bom ou mesmo socialmente aceitável. Teria eu um monstro dentro de mim?

À medida que vou tentando colocar pra fora meu autêntico eu, forças como esses pensamentos supracitados me puxam, na minha mente é físico, eu sinto alguém me puxando à medida que eu vou fazer esse esforço pra ser autêntico.

No passado eu queria esconder isso de mim mesmo. "Claro que eu estou sendo autêntico. Claro que eu estou gostando do que estou fazendo, estudando, trabalhando, sentindo.". Se eu não achava uma razão imediata (quase nunca existia), eu sempre puxava pra alguma razão superior, uma meta a se alcançar. Mas de que adianta pensar numa causa maior que eu, se eu não posso ficar feliz em nenhum momento do processo? Seria eu um instrumento de uma força maior, de um objetivo maior? E eu, como fico? ahaha

Bernardinho também quer se divertir, fazer merda, se liberar, relaxar. Ahhhhhh, meu peito vaza o ar à medida que eu vou soltando as amarras que me prendem. Muito bom isso.

Comigo isso sempre aconteceu como uma maneira de esconder meus reais sentimentos e intenções. Buscava esses ideais enquanto os outros (ou pelo menos pensava assim) seguiam suas vontades terrenas e não supremas.

Agora eu tenho que lidar com aquele sentimento: "Eu queria fazer isso, mas não consigo. Eu queria fazer aquilo, mas não posso.". Ter que lidar com esse peso, essas frustrações, parece mais difícil do que inventar lindas historinhas sobre mim, mas é o peso da autenticidade. Que se esvai aos poucos à medida que não poder fazer certas coisas deixa de significa qualquer coisa sobre mim. Aquilo de "ah, não faço isso porque eu não sou bom o suficiente" não aparece tanto na mente.

E o fueda é, pelo menos pra mim, nunca veio como um diálogo claro: "você não consegue fazer isso, você é um bosta" como eu vejo nos filmes aquele diabinho e o anjinho falando. Mãs, ao besbo tembo, é como se fosse a minha vontade. Meus julgamentos sobre mim mesmo dá uma travecada e se veste de vontade, dizendo que eu quero fazer tal coisa, apesar disso estar longe da verdade. Travequismos mentais só complicam quando quer se arrumar esses comportamentos, ainda mais quando é difícil achar o pomo de adão. Aí só verificando a voz, pra ver se bate com o que a gente acha que realmente é nossa vontade. E também é mais fácil de ver isso quando se vê se a vontade está dentro do terreno das vontades primitivas, o que é sempre um ótimo sinal. Comer, fuder, dormir. Se tá dentro disso, provavelmente é verdade.

Todo o tempo estamos tentando fazer o equilíbrio entre aquilo que nós queremos e aquilo que achamos certo fazer. Eu acredito ainda que podemos conciliar os dois. Mas é bom rever, se aquilo que eu acho certo é realmente o certo.

Esse senso chode de justiça, cria valores lindos pra gente e diz que se brigam comigo, é porque foram injustos! Se eu não consigo o que quero, é porque o mundo é injusto! Porque houveram pessoas que nasceram ricas e eu não?! Isso é injusto!

Oh well, fazer o que. Nasceram assim, parabéns pra eles. Eu vou fazer o meu e buscar a minha felicidade, e não desculpas.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados é...

Quando eu era pequeno imaginava o namoro como aqueles álbuns "Amar é..." antigos e amarelados que a minha mãe tinha. (Já reparou como a cola adesiva fica amarela e seca depois de uns 10, 20, 30 anos?) Uma coisa melosa, sem muito propósito.

O que eu não pensei muito a respeito foi que o namoro é como vocês dois definem que ele vai ser. Claro que em certos momentos ele vai ser "meloso" ou carinhoso, como queira, o que é muito bom, principalmente pra alguém como eu, que não estava acostumado a receber carinho de quem se preocupa comigo.

Mas namoro, pelo menos o meu e da Camila, também tem momentos divertidos, cool, poser, tolos, sérios, de desenvolvimento pessoal mútuo, de suporte mútuo.

Além de ser uma aventura iterativa, que pode ser melhorada aos poucos.

Tive que trabalhar muito a comunicação, que não era a minha especialidade. Eu sou bom em comunicação objetiva, de me comunicar pra conseguir alguma coisa, mas aquela comunicação de relacionamento, para deixar todos a par do que tá acontecendo, de desfazer mal entendidos, eu não sabia nem conseguia porque era muito pesado pra mim desfazer os nós que muitas vezes uma sentença mal formulada pode trazer.

A experiência compartilhada das coisas que acontecem, promovem uma perspectiva interna, que só um relacionamento como um namoro ou uma amizade muito forte pode proporcionar.

Camila, te amo!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Data e hora marcada pra tudo acontecer

Quem diria, eu que odiava compromissos com todas as forças nadando neles. É tão bom saber de onde se vai e de onde se vem...

Persuasão



Eu imagino o processo de persuasão como uma viagem numa canoa, aonde você convida a outra pessoa pra sentar no barco e vai conversando com ela, fazendo ela prestar a atenção no que você está dizendo enquanto calma, lenta e sorrateiramente vai remando, conversando, contando histórias, criando imagens na mente da outra pessoa, deixando a mente dela ocupada pra quando ela perceber, já estar na outra margem do rio.

Nem tudo se compra (ou quase nada)

É interessante ver como essa mentalidade consumista se difundiu até mesmo nas habilidades, características de caráter e outras habilidades mentais.

É como se fosse fácil ir até à banca da esquina e comprar "Habilidades em marcenaria". Vi anteontem mesmo um exemplo de alguém que comprou diversos fascículos de "Bricolagem" e marcenaria, e quando se vê um trabalho nessa área feito por essa pessoa, era uma coisa bizarra, com trezentos pregos no mesmo lugar. Literatura nenhuma poder consertar falta de bom senso.

Ou mesmo quando alguma empresa contrata uma consultoria em definir missão, valores. É como se alguém chegasse pra você e dissesse: agora você vai ser evangélico, vegetariano, vai praticar kick-boxing e vai sorrir pra todo mundo.

Todo melhoramento deve partir de uma busca interna, de melhoramento do que vai torná-lo mais feliz, mais completo. E isso é definido pelas necessidades de cada um.

Me vem sempre a cabeça o exemplo de um empresário, filho de outro, que diferente do exemplo de Donald Trump, não recebeu do pai os valores corretos na hora de fazer a própria empresa, e à torto e a direito busca expertise externo, pago, antes de conhecer um pouco sobre a própria emprêsa (no sentido antigo da palavra).

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ideário pessoal

Estou lendo "Ascensão e queda do Terceiro Reich", do William Shirer e no livro ele faz todo um estudo das origens do ideário nazista, o Weltanschauung. Que é um estudo que é importante qualquer pessoa se questionar: "de onde vem minhas idéias e comportamentos?", "é isso que eu quero mesmo?". Qual é o seu Weltanschauung?

Sweager

Quando está se sentindo bem, tudo muda. Claro que a realidade objetiva continua a mesma, mas a interpretação dela... quanta diferença. Parece aquelas propagandas da Smirnoff.


Cortar o cabelo, fazer a barba com Mach 3, usar camiseta polo, como eu adoro tudo isso.

Engraçado é que todo mundo pensa: eu vou usar essa roupa que a mulherada ama. Será mesmo? Ou será que usando uma roupa boa, você se sente bem, seu senso de merecimento te libera dos filtros que vivem enchendo sua cabeça de besteira e isso sim atrai os outros?

domingo, 1 de junho de 2008

Filtros de comportamento

Engraçado que os critérios internos de merecimento que eu achava que só valiam pra situações sociais, também valem pra situações em geral. Por exemplo, na área social, antes de nos deixarmos ser sociais, nos perguntasmo diversas coisas: quem sou eu nesse grupo? Eu vou contribuir com alguma coisa se eu abrir a boca? Será que eu posso perder valor se eu fizer a ação X? Será que vão deixar de me respeitar se eu fizer X e der errado? Esses filtros, quando eles te dizem que fazer a ação que você tem vontade, pode trazer consequências negativas, o seu cérebro te impede de fazer tal coisa. Vamos dizer que você quer fazer amizade com alguém, mas acha que a pessoa pode não gostar de você. É possível que você sinta algo até físico pra te impedir que você faça isso. Uma força invisível que te puxa pra trás.

Isso é claro e conhecido por muitos como timidez, "travar", etc. Agora o que eu não sabia é que isso se aplicava a trabalho por exemplo. Agora estava tentando terminar uma solução em software e algumas coisas não vinham na mente, mas eram sensações. Buscando, vi que elas podem estar muito bem relacionadas ao meu senso de merecimento. Começam a vir perguntas: "será que eu posso terminar isso tão rápido?", "você já trabalhou demais, deixa isso pra depois", "você já trabalhou demais por hoje, descansa um pouco". Só que isso tá me impedindo de fazer uma coisa boa, que é terminar o meu trabalho. Parece que eu estou acostumado demais a essa sensação de agonia, de coisas incompletas, e o meu corpo não tá deixando eu conhecer uma situação diferente, que é de ter as coisas prontas, completas. Mas foda-se, deixa o meu corpo sentir isso, que eu quero é terminar meu trabalho.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Celebridades

É engraçada a relação que as pessoas tem com as celebridades. Ao mesmo tempo que querem ver elas fazendo coisas gloriosas, vestindo as roupas que elas nunca vão vestir, conhecendo as pessoas que elas nunca vão conhecer, casando e se separando das pessoas que elas nunca vão encontrar, elas também querem o lado humano delas. E por isso essas revistas de celebridade. Pra poder olhar pra essas celebridades e dizer: "Viu, ele(a) não é tão foda assim.", "ele(a) também faz cagada", e respirar aliviado por não ter que ser tão perfeito quanto a imagem que eles projetam.

Brasileirismos

Mudei a descrição do blog.

Friso o brasileiro, porque a cultura de auto-desenvolvimento no Brasil ainda é muito incipiente (palavra legal, não?). No Brasil ainda impera a cultura do fazejamento (ao invés do planejamento), da superstição, do fatalismo - "Deus sabe o que faz", "seja o que Deus quiser", do "deixa a vida me levar".

Isso foi implantado muito através da Igreja Católica. Não sei se de forma orquestrada, ou alguma teoria conspiratória, mas é uma coisa interessante pra uma Igreja, deixar nas mãos de Deus, porque aí as pessoas tem que rezar bastante pra fazer as coisas acontecer.

O problema é que isso tira de nossas mãos o poder de mudar as coisas. Não é Deus que estuda por mim pra ir bem na prova, ou ganhar alguma proposta ou trabalho. Nunca vi Deus fazer um malandro tirar nota boa.

Algumas das pessoas que são realizadoras gostam de chutar pra todos os lados e ter essas frentes todas atuadas. Alexandre O Grande fazia sacrifícios. Muitos empresários são doadores da Igreja Católica, muitos são filiados a alguma Igreja evangélica.

Não tenho nada contra a Igreja, acredito que a Bíblia traz bons e maus ensinamentos, é só saber discernir o "joio do trigo" (há!).

Não sei, talvez meu ceticismo vá se evaporando, desintegrando à medida que eu for acreditando numa força superior, mas por enquanto, eu faço o meu. Se os outros seres e planos quiserem fazer o deles, agradeço.

Não que a cultura brasileira do fazejamento seja de todo ruim. A coisa boa é que se tem bastante flexibilidade. Mas é bom misturar essa flexibilidade com algum planejamento prévio, pra não ter que refazer os trabalhos que se fazem mais na frente. Em tecnologia é bastante assim. Eu mesmo já comecei softwares fazendo do jeito que eu sabia, só pra mais na frente descobrir que o que se poderia fazer era completamente diferente e mais fácil. Mas, batendo a cabeça e aprendendo.

Sonhos e provas

Sonhos são legais como boas histórias. Os que eu me lembro são sempre meio loucos. Mas nunca vi muito significado neles. Talvez seja meu ceticismo, ou minha força interna que me impede de deixar a responsabilidade pelo que acontece comigo pra qualquer coisa a não ser eu mesmo.

Tive uma prova sinistra de contabilidade ontem. Começou 20:20 e terminou 23:10. Quer dizer, pra mim, pq ainda tinham pelo menos 10 pessoas na sala.

Foda é que eu não levei a calculadora, aí perdi um tempo animal fazendo cálculos na mão. E errados ainda por cima. Só consegui uma calculadora depois que o cara que tinha emprestado do professor foi embora. Isso bem além. Me forcei a preencher tudo do jeito que tava, e só depois ir revisando. Mas depois pra consertar bastante coisa. Deveria ter feito toda a parte sem cálculo primeiro, depois só ir checando. Mas enfim, bom pra aprender. Segunda ou terceira vez que esqueço a calculadora e me ferro.

É legal ver que à medida que a prova vai seguindo tu vai ficando mais cansado e o teu pensamento vai fugindo. Se não tem um método previamente estipulado, fica foda. Tu começa a se perder, não se concentra mais. Ainda mais quando acontece um imprevisto como o da calculadora, aí eu fico nervoso pela calculadora. Mas mesmo nessas horas eu consigo me forçar a fazer alguma coisa, qualquer que seja e de completar a prova, que é melhor do que ficar noiando.